De acordo com levantamento realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) sobre dados do Zap Imóveis, em São Paulo, a melhor rentabilidade relativa está nos imóveis de um dormitório no distrito do Butantã, zona oeste, com a relação de 0,74% sobre o valor total da propriedade. Mas existem regiões na capital paulista em que um apartamento de quatro quartos rende apenas 0,29%.
Ainda que os valores nominais pareçam atraentes, a rentabilidade média dos aluguéis, segundo o diretor da Brazilian Securities, Fernando Cruz, varia entre 0,50% e 0,60%, semelhante ao desempenho da caderneta de poupança, com rendimento de 0,5% ao mês, mais a taxa referencial de juros (TR), que, em março, atingiu 0,1%.
A aplicação na poupança - diferentemente dos aluguéis, com retenções na fonte de até 27,5% em imposto de renda (IR) - não tem incidência tributária. "No imóvel, sempre é preciso ter um inquilino (e que pague). Há então o problema de inadimplência e da vacância", diz Cruz.
Coordenador do Centro de Estudo sem Finanças na Fundação Getúlio Vargas (FGV), William Eid Júnior ressalta a existência de custos periódicos para a manutenção do imóvel, como as taxas cobradas pelas administradoras e os gastos com reparos e reformas. "Com tudo isso, de 0,7%, o rendimento cai para uns 0,63% (líquidos). Um porcentual bruto de 0,65% é o mínimo. Menos do que isso não vale a pena." Ele acredita que, diante de resultados tímidos, a poupança, considerada um investimento conservador, é mais vantajosa.
O diretor da Faculdade de Administração da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Tharcisio Souza Santos, lembra que o valor dos imóveis e a possibilidade de ganhos com investimentos variam de acordo com a tendência de valorização da área onde o bem está localizado. "A pessoa tem de ter consciência de que é uma opção cheia de incertezas. O valor do imóvel não vira pó, mas pode subir, descer ou ficar estável", diz. Para ele, a aplicação de recursos em outra unidade não deve ultrapassar 25% do total do patrimônio do investidor.
A lei do inquilinato, embora tenha facilitado o despejo de maus pagadores,também desestimula o investimento residencial, na opinião do vice-presidente de gestão patrimonial e locação do Sindicato da Habitação (Secovi-SP ), Walter Cardoso.
"A tributação (com recolhimento de IR) é absolutamente errada. Ela não dá prosseguimento para ninguém investir". Cardoso considera positiva para o investidor, no entanto, a indexação dos contratos de aluguel ao Índice Geral de Preços -Mercado (IGP-M).
"Aos investidores menos patrimonialistas há a opção de produtos financeiros com lastro em imóveis (fundo imobiliário, Letra de Crédito Imobiliário e Certificado de Recebíveis Imobiliários)", informa o educador financeiro Mauro Calil, do Instituto Nacional de Investidores (INI). A rentabilidade dos papéis costuma ser superior à das locações tradicionais.
"E, no aluguel dos fundos imobiliários, desde que o investidor não tenha mais de 5% do valor das cotas, o IR é zero", diz Calil.
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